domingo, 7 de março de 2010

Faz um tempo que não escrevo, eu até tentei, mas sempre acabava com as linhas em branco. Meus cadernos estão normais, a capa em perfeito estado, as folhas somente escritas com as matérias e tudo exatamente da mesma maneira como eu imaginei que seria caso eu estivesse feliz. O único problema é que a felicidade realmente não está com vontade de me acompanhar, ela até fica perto de mim por um tempo, mas logo se cansa e vai embora, acredito que sou realmente muito entediante.
Não faço a mínima idéia do que fazer com toda essa dor, somente sei que ela mal cabe dentro do meu peito, ela quer expandir.
Pra ser sincera, eu estou num estado que nunca pensei que ficaria, eu me vejo sequestrada do mundo.
Não quero chorar, eu não preciso chorar. Mas não sei, realmente não sei como me abafar. As lágrimas escorrem antes mesmo de serem percebidas e quando finalmente gritam a sua presença, escorrem com ainda mais rapidez e carregando com elas amarguras muito maiores. Pará-las é algo quase impossível.
Minha cabeça dói, como se fosse explodir a qualquer momento. Meus ouvidos doem como se agulhas estivessem passeando por lá. Meu corpo lateja. Minhas pernas parecem não querem se mover. Minha voz não quer ser usada. Meus movimentos lentos parecem ameaçar parar a qualquer segundo e meus olhos se inundam em lágrimas, em todos os momentos, em todos os lugares, em todas as palavras.

A lembrança vaza de minhas veias. Sem peso, talvez eu consiga encontrar alguma paz esta noite.

partes de mim.