sábado, 24 de abril de 2010

Eu sou aquela carta que você escreveu e nunca entregou. Sim, aquela mesma que você passou bastante tempo escrevendo, tomando muito cuidado pra não errar nenhuma vírgula e deixando cada letra escrita de forma perfeita, no lugar certo. Aquela carta que fez você sorrir enquanto escrevia e também te fez derramar algumas lágrimas, borrando algumas palavras.
Se lembra o quanto se preocupava em pontuar cada sentimento naquelas linhas? Pois é, você nunca esperou que talvez não tivesse coragem de entregar a carta, você nunca pensou que iria guardá-la por tanto tempo, com tanto cuidado, a ponto de esquecer que ela existia dentro de alguma gaveta. Mas está tudo bem, mais dia ou menos dia você vai abrir a gaveta, mesmo sem se lembrar que a carta existe, vai se chocar por perceber que ela continua intacta e então vai ler. Tudo o que foi pontuado lá não fará mais sentido naquele momento, talvez você até se arrependa de ter escrito, porém nunca terá coragem de rasgar, de descartar. Você vai guardá-la novamente e esquecê-la por mais um tempo.

partes de mim.