quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Não colocava os pés pra fora de casa a mais ou menos uma semana, até que precisei ir ao médico, confesso que foi alegre enquanto escolhia a roupa pra usar, a maquiagem, o penteado e os sapatos. Mas essa alegria breve acabou assim que pisei na rua. Me senti uma idiota. Minha vontade era realmente voltar correndo pra casa, tirar toda aquela máscara de falsa felicidade e deitar na minha cama, ficar sozinha. Quando eu estava na rua, eu pude notar que eu não estava fazendo nada além de ir a um médico.. que coisa mais inútil, o único motivo que eu tinha pra sair de casa era pra ir a um médico. Palmas pra mim.
Não gosto de pensar que estou sozinha, mas não posso ignorar que as pessoas que eu julgava como amigos não estão mais aqui. Se eu sinto vontade de sair, vontade de tomar um sorvete ou comer alguma coisa diferente, quais são minhas opções? Bem, garanto que não são muitas. Ou eu vou sozinha e suporto minha própria presença mais uma vez ou eu fico em casa fazendo alguma das minhas coisas grandiosas.. recortar revistas, por exemplo.
Confesso que eu me sinto bem durante um tempo, tudo está maravilhoso.. as pessoas parecem mais amigáveis, as músicas parecem acariciar meus ouvidos, a comida da minha mãe parece deliciosa e aqueles problemas que pareciam estar me matando, não existem mais. Mas chega num momento que simplesmente não suporto fingir que tudo é luminoso e um daqueles problemas que não existiam mais voltam a existir com toda eficácia, querendo me derrubar e conseguindo, de uma forma ou de outra.
Será que eu fiz mesmo errado? No momento em que eu fiz algumas coisas eu tinha certeza de que estava certa, de que era o melhor, mas agora, algum tempo depois, eu fico em dúvida se realmente optei pelo melhor. Um dos meus defeitos é que sempre espero muito das pessoas, sempre acredito que as pessoas vão mudar, que aquele momento é só um momento ruim e vai passar. Talvez esse seja um dos motivos que me perturba, é sempre mais ou menos do mesmo jeito.. alguém me magoa, diz que não se importa e grita que gostaria que eu morresse, mas eu tento não me chatear e mesmo transbordando em dor, continuo ali ao lado da pessoa, esperando que um dia, por algum milagre, a pessoa mude. Porém isso nunca acontece e a cada vez me decepciono e sofro mais. Será que tudo aquilo que eu pensei viver foi real? Esse meu dom de acreditar e esperar demais dos outros acaba com toda a minha sanidade, então pensando agora, mais calma consigo ver que talvez todos aqueles juramentos, todos aqueles momentos, todo aquele amor nunca tenha existido em outro lugar a não ser dentro de mim. Talvez eu dê muito valor a coisas que simplesmente nunca existiram realmente, que nunca passaram de uma idealização absurda da minha cabeça. Não consigo mais olhar as coisas que eram ditas pra mim, como se fossem realmente verdade. Pra quem eu estou mentindo, afinal? Eu continuo esperando que as coisas vão mudar, melhorar. Continuo sonhando que um dia ele simplesmente vai me procurar, me chamar de "meu amor" e dizer que se arrepende de tudo o que falou, então eu iria perdoá-lo e tentar reconstruir mais uma vez tudo aquilo que foi destruído com palavras dolorosas. Eu ainda espero que um dia as coisas se acertem, eu ainda espero. Pra quê? Simplesmente pra me decepcionar mais uma vez.

O mal da memória é que as lembranças ruins te acompanham aonde quer que você vá. Não tem um jeito de desligá-las, de mudar de canal ou de deixá-las esquecidas na gaveta de algum hotel.

partes de mim.