quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Talvez eu ainda não soubesse o que era realmente não sentir algo. Até ontem.
Confesso que demorei pra escrever pelo simples fato de sentir muito medo de ter que lembrar e pontuar, não quero que aquele buraco volte a se abrir em mim. Mas preciso escrever, preciso colocar pra fora de algum modo.
Eu nunca pensei que doeria tanto pensar na idéia de perder alguém, tanto a ponto de doer mais do que perder a mim. Não sei se a vida e a morte ficaram assim tão perto alguma outra vez. Não consigo me lembrar.
Eu não senti o cigarro que estava fumando, eu não senti o vento gelado, eu não senti as outras pessoas que estavam lá, não senti vergonha de chorar e gritar, não senti receio em implorar. Eu não senti nada além de uma série de pequenas pontadas de dor levando minha vida embora mais e mais a cada segundo.
Não conseguia aceitar a idéia de ficar sozinha. Eu não gosto de fazer planos, não gosto de ter sonhos, sinto muito medo de perdê-los, então prefiro não ter. Mas foi inevitável, eu tenho sonhos com ele, eu tenho planos e é tudo o que me resta.
Não sei o que aconteceria se ele realmente fosse embora, eu não sei. Talvez eu ficasse tão entorpecida que não notaria nada, recalcaria todos os sentimentos, tudo. Talvez ficasse tão esmagador que eu não iria aguentar, iria embora em seguida. Eu não sei. Só peço a mim mesma que aguente e que no pior dos casos, opte pelo torpor.

partes de mim.