quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dias ruins, eu não me lembro exatamente quando foi o meu último. Dias assim acontecem com uma frequência absurda, mas vão embora e eu pareço esquecê-los, então quando eles voltam, sinto tudo como se fosse pela primeira vez. Não conheço nenhuma fórmula pra curar tudo isso, confesso que queria muito conhecer, 85% dos meus dias seriam melhores.
Muitas pessoas reclamam da minha constante falta do que dizer, eu não me sinto exatamente fechada do mundo, simplesmente não gosto de pontuar o que se passa dentro de mim. Penso coisas com sentido gigante pra mim, mas só pra mim, pra que falar? Tenho certeza que soaria bobo pra todo o resto. Quando me sinto chateada faço o possível pra esperar muito de mim, não me matei até agora e acho que foi esse meu jogo de sempre me dar um presente.. alguns dias, alguns meses e até alguns anos. Acabo sempre ficando melhor e esqueço o prazo. Não consigo achar nenhum motivo concreto pra anular a minha vida inteira, mas ao mesmo tempo não encontro nenhum motivo concreto pra estar viva.
Eu não sou uma pessoa sonhadora e não sinto vergonha de admitir isso. Se eu tivesse certeza que iria morrer amanhã, não sei o que faria com as minhas últimas horas. Sei que se eu tivesse algo de muito importante a realizar, seria a primeira coisa que eu pensaria em fazer no meu último dia, mas nada me vem a mente. Tenho medo de sonhar demais e fracassar na mesma proporção, por isso evito ter muitos planos.
Eu já tive um último dia, a sensação é devastadora. Não faz muito tempo. Tinha em mente que aquele dia deveria ser o melhor da minha vida, pois seria o último, então tentei me preocupar o mínimo possível com todo o resto. Acordei cedo e fui para o parque, deitei na grama e li um livro, naquele mesmo dia estava acontecendo um show no parque, a cantora tinha uma voz muito bonita e me acalmava. Fui encontrar um amigo, ficamos lá, na grama. Eu tentei prestar atenção em tudo o que estava ao meu redor, não queria me esquecer de nada. Apreciei os pássaros, as árvores, o céu. Era uma sensação absurda de tudo e de nada. Foi um dia lindo, diria que até perfeito. Isso me impediu de morrer, fiquei com a sensação de que eu não podia ir embora. Eu não vou me esquecer.

partes de mim.