E quando chega a noite, aquele vazio doloroso chicoteia minha alma e ela sangra em pura dor. O silêncio nunca me perturbou tanto como ultimamente, mas me sinto bem.. a sensação de ter feito a coisa certa, mesmo sofrendo, me faz continuar.. ..mas a vontade de desistir de tudo, ainda está aqui e ela bate na minha cara, a inutilidade grita o tempo todo e mesmo no escuro, com as mãos nos ouvidos.. eu escuto, eu escuto minha alma em dor. Não sei mais o que fazer.
Tentei, em vão, ser o melhor para aquelas pessoas que eu amei, mas algo tem que mudar em mim, porque mesmo ao lado de alguém especial, me sinto assim.. em pedaços, em estilhaços.
É uma noite fria, estou descalça, ando em cacos de vidro, o vento frio me deixa imóvel, mas eu sei que tenho que continuar, eu piso em mim mesma, eu sou os estilhaços. Lágrimas escorrem pelo meu rosto vermelho, meus olhos roxos se fecham, eu não quero ver.. e escuto somente os meus soluços de medo, sinto medo, não posso mais.. eu não posso mais.
Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida, ou fingir estar sempre bem.