Estou escrevendo porque não sei por onde tens andado e mesmo se soubesse não teria força suficiente pra cuspir todas essas palavras em cima de você.
Sinto medo de chorar. Sinto medo de fracassar, de olhar você de longe rezando pra que eu não seja vista. Eu tenho medo.
Eu não me lembro quem sumiu primeiro, eu ou você. Me julguei tantas vezes como se a culpa fosse minha, mas mudei o rumo dos julgamentos e entendi que não importa quem sumiu primeiro, ambos se foram e não voltaram.
O beijo que você me deu está guardado junto com as flores e com as promessas, tudo está guardado, tento não pensar nessas malditas recordações, mas elas sempre estão tão perto que quase posso tocá-las.
Eu tenho tanto pra lhe dizer, eu tenho tanto pra perguntar, eu tenho tanto pra confessar.
Eu quero engolir tudo isso, eu quero despedaçar suas flores, pisotear nas suas promessas e limpar o seu beijo. Eu quero te enterrar.
Gostava tanto do seu cheiro, ele me deixava com vontade de cantar e sorrir. Gostava das suas mãos acariciando meu cabelo e suas lágrimas que molhavam minha roupa.
Eu estava lá com você, sim, eu estava. Quando você chorou eu estava lá, quando você mais precisou eu fui a única a estar lá, jamais abandonei suas mãos.
Você me fez acreditar e agora o que resta sou eu.
Eu sei que você nunca vai ler essa carta e sinceramente isso me acalma.
Não queria esquecer o seu cheiro e nem a cor exata dos seus olhos, mas sinto você se perdendo de mim a cada segundo. Cada vez mais.