quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu detesto sonhar, detesto dormir por isso, sinto medo, tanto medo de vê-lo passeando pelo meu mundo. Quando acordo, a realidade chicoteia toda a sanidade presente em mim e mesmo não querendo admitir, mesmo querendo fingir que tudo não passa de uma lembrança ruim, eu me arrependo de deixá-lo ir. Hoje, uma lágrima escorreu pelo o meu rosto e pingou gentilmente sobre a cama, é como se eu estivesse voltando a um ano atrás, só que agora parece mil vezes pior. Eu me lembro claramente das nossas brigas, das lágrimas, dos momentos bons.. ..daquele amor esmagador. Por que foi mesmo que chegou ao fim?
Eu tento –inutilmente- me enganar que foi melhor assim, eu queria que ele não estivesse mais aqui, dentro de mim. Mas o rosto dele assombra todos os meus sonhos, eu tento dizer a mim mesma, todos os dias, que ele se foi, mas ele ainda está aqui, embora sozinha eu esteja. O cheiro dele estava em todos os cantos, mas aos poucos, foi se dissolvendo e agora não restou mais nada, mais nada.
Quando você tem um ferimento muito grave, dói tanto, tanto, tanto que chega num momento da dor, que ela faz você ficar relaxado, estático, sem sentir nada, você não sente mais a parte do corpo ferida, por tanta dor. É assim que estou, sem dor alguma, por tanto doer. E agora que ele se foi, o que me resta é cuidar de mim.

Por mais que eu lutasse para não pensar nele, eu não lutava para esquecê-lo. Eu podia não pensar naquilo, mas queria me lembrar de tudo.

partes de mim.